Um dia de Merda

by Negócios do Japão on maio 4, 2007

Aeroporto de Buenos Aires , 15:30.

Pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada e um peidinho não aliviasse.

Mas, atrasado para pegar o ônibus que o levaria para o outro aeroporto da cidade, de onde partiria o vôo para Cordoba , resolveu segurar as pontas. “Afinal de contas, são só uns 15 minutos de viagem ” .

Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta. “Tranqüilo.”

O avião só saia as 16:30.

Entrando no Ônibus, sem sanitários, sentiu a primeira contração e tomou consciência de que sua gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do outro aeroporto.

Virou para o amigo que o acompanhava e sutil, falou :

“Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.” Nesse momento, sentiu um urubu beliscando sua cueca, mas botou o esfíncter para trabalhar e este segurou a onda.

O ônibus nem tinha começado a andar quando para seu desespero, uma voz em castelhano disse pelo auto falante :

“Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levara em torno de 1 hora”.

Ai o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo! Fez um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação c*&~ a qualquer momento. Suava em bicas. Seu amigo percebeu e , como bom amigo que era, aproveitou para tirar o sarro.

O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava se distrair vendo a paisagem mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário.

Tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então : branco e macio e com textura e perfume e – ops! Sentiu um volume almofadado entre seu traseiro e o assento do ônibus e percebeu consternado que havia cagado.
Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que da vontade de ligar pros amigos e parentes e convida-los a apreciar, na privada, tão perfeita obra : Dava pra expor na bienal. Mas sem dúvida, não nesse caso.

Olhou para o amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessou sério : “Cara, caguei.”

Quando o amigo parou de rir , uns cinco minutos mais tarde, aconselhou-o a ficar no centro da cidade, escala que o ônibus faria no meio da viagem, e que se limpasse em algum lugar.
Mas ele resolveu que ia seguir viagem, pois agora estava tudo sob controle. “Foda-se , me limpo no aeroporto,” – pensou – “pior que isso não fico”.

Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Ele arregalou os olhos, segurou-se na cadeira mas não pode evitar e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda.

Desta vez como uma pasta morna. Foi merda pra todo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cuecas, barra da camisa, pernas, panturrilhas, calças, meias e pés.
E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líquida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade.

E depois um peido tipo bufa, que ele nem tentou segurar, afinal de contas o que era um peidinho pra quem já estava todo cagado.

Já o peido seguinte foi do tipo que pesa e ele se cagou pela quarta vez.

Lembrou-se de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou com as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tira-lo , levou metade dos pelos do fiofó junto.

Mas era tarde demais para tal artifício absorvente.

Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia ajudá-lo a limpar a sujeirada.

Finalmente chegou ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, suplicou ao amigo que apanhasse sua mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que ele pudesse trocar de roupas.

Correu ao banheiro e entrando de box em box, constatou a falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhou para cima e blasfemou: “Agora deu , né?”

Entrou no último, sem papel mesmo, e tirou a roupa toda para analisar sua situação (que concluiu como sendo o fim do poço) e esperar pela mala da salvação com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ele uma lufada de dignidade no seu dia.

Seu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o “check-in” e ia correndo tentar segurar o vôo.

Jogou por cima do box o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto. Ele tinha despachado a mala com roupas.

Na mala de mão só tinha um pulôver de lã gola “V”. A temperatura em Buenos Aires era aproximadamente 35 graus.

Desesperado, começou a analisar quais de suas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Suas cuecas, jogou no lixo. A camisa, a mesma historia.

As calças estavam deploráveis e assim como suas meias, mudaram de cor tingidas pela merda. Seus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10.

Teria que improvisar. A necessidade é a mãe da invenção, então ele transformou uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virou as calças do lado avesso, segurou-a pela barra, e mergulhou a parte atingida na água.

Começou a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Saiu do banheiro e atravessou o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meia, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola “V” sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde.

Embarcou no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o “RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO” e atravessou todo o corredor até o seu assento ao lado do amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Ele chegou a pensar em pedir uma gilete para cortar os pulsos ou 130 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante, mas decidiu não pedir: “NADA
, OBRIGADO, EU SÓ QUERO ESQUECER ESTE DIA DE MERDA”.

Artigos Recomendados




{ 1 comment }

1 Lucas maio 18, 2008 às 3:52 pm

eu achei tao engraçada que quase borrei as calças(ou o corpo inteiro)

Comments on this entry are closed.

Previous post:

Next post: